Bem-vindo ao nosso 12º Café da Manhã!

“Começo aqui e meço aqui este começo e recomeço e remeço e arremesso e aqui me meço quando se vive sob a espécie da viagem o que importa não é a viagem, mas o começo da”. Um desejo de não ter de começar. Um discurso que ao mesmo tempo é controlado, selecionado, organizado e redistribuído. Procedimentos de exclusão, reforçado e reconduzido por uma instituição: classificação opressiva. O discurso faz-se impotente, o não discurso fragmentário.

Parte do discurso torna-se uma estreita lacuna. O presente um vazio de sentido. Nenhuma estátua distingue os discursos, a “escritura”, Graciliano e sua VIAGEM: “não admitimos nenhum culto a pessoas (não admito nenhum culto a formas convencionais) vivas, perfeitamente: a carne é falível, corruptível, inadequada à fabricação de estátuas”. Formas petrificadas.

O simples fato de escrever e descrever os fragmentos da memória. Imaginar, ver e concluir. Verdade ou fantasia. Dentro da viagem Tolstoi anuncia: “acabou a morte. a morte já não existe!”. O discurso linear acabou. “aspirou profundamente, interrompeu a respiração, inteiriçou-se e morreu”.

“DESTRUIR OS VALORES DOUTRINÁRIOS ACADÊMICOS E MAÇANTES”. “Tensão de palavras-coisas no espaço-tempo. estrutura dinâmica: multiplicidade de movimentos concomitantes”. Eis então, os pontos de luz que armam uma constelação: Mallarmé, Pound, Joyce, Cummings, Apollinaire, Oswald de Andrade, João Cabral de Melo Neto.

Indeterminacy: um ruído banhado em nova luz. Público sem público. O silêncio interrompe. Efeito. Público com público. Reprodução do silêncio. Tempo. Língua autônoma. Criação da obra (a obra de arte deve contestar a experiência acumulada).

Estranho público. Público sem público. Reprodução do mundo. Recriação. Criação do novo. Recuperar o antigo. Efeitos. Destroçar o primitivo. Nada é sério. Nada? Jornal de dados. Lances de jornal. Nada programado. O ruído do silêncio. Tempus. Função. arstempus. Acaso: John Cage (renúncia à introdução, desenvolvimento e conclusão). A poesia e a música reduzidas à essência.

Reconstrução dos efeitos do passado. “vou construir o meu Graciliano Ramos”. Estranhamento. Não há cópia e plágio: há a rede de citações. Uma vida que critica a vida. Uma procura crua da verdade.

A verdade das máscaras: EM LIBERDADE – diário de Graciliano Ramos ou ficção de Silviano Santiago? “apenas uma coisa pediu-me o legítimo dono dos originais: que seu nome não fosse revelado. tinha medo do julgamento da história quanto ao seu ato. acatei o pedido. portanto, toda a responsabilidade desta publicação recai sobre este, que assina Silviano Santiago”. Uma resposta indecifrável: duplicada.

A indeterminação dos limites da experiência contestada pela composição dos fragmentos. “não querem deixar-me construir a minha vida EM LIBERDADE”. Feixe de luz que transforma o espaço. Tempo esgotado. “pois começo a fala”.

Mais um gole de Café, e até amanhã!

Prazer, Pablo.

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