Bem-vindo ao nosso nono Café da Manhã!

Ontem, colhi margaridas. E chorei aos montes. Todas as flores do quintal ficaram felizes e me agradeceram. Nunca entendi as reações das flores. Juro que tento compreender cada palavra dita por elas. Por vezes, fico sentado no gramado, observando silenciosamente as cores a desabrochar, a luminosidade do pôr do sol, as gotas do orvalho. Adoro adormecer embalado pelos perfumes.

Ontem, colhi sorrisos. Sonhei com a morte de dez pessoas. E não chorei. A humanidade precisa de mortes, às vezes. Civilidades encontradas nas árvores do jardim estão em falta. Busco com o olhar as formigas de meu jardim. Conto uma por uma. Tenho três folhas de caderno preenchidas com nomes. Sempre achei que as formigas precisavam de identidade.

Ontem, colhi frustrações. Saí por aí. Caminhei por tantos lugares e conheci tantas vilas que me esqueci de voltar. Aqui não tem jardim. Cinza é a cor do deleite. E o verde que é verde algumas vezes nunca amadurece, morre jovem na mão de fantasmas. Na noite passada, assisti a um filme de terror. Nunca entendi por que atender ao telefone parece ser agoniante.

Ontem, morri. Colhi algumas flores do jardim antigo. Subi as escadas do porão. Acho que fiquei por lá um bom tempo. Escondido e quieto. O caderno ficou comigo. Somos amigos inseparáveis. Lá estão todos os nomes do mundo, do meu mundo. Gosto de nomear o que me cativa. Às três da tarde, nasci.

Mais um gole de Café, e até amanhã!

Prazer, Pablo.

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