Bem-vindo ao nosso 17º Café da Manhã!

Nem sei por qual motivo continuo vindo aqui. Meu pai também não gosta da ideia. Minha mãe diz que é importante, que irá me ajudar, me deixar melhor. Mas, não compreendo por que preciso pagar para conversar. Quer dizer, pagar para responder. É só isso que ele sabe fazer: perguntar, ou responder com perguntas, o que é a mesma coisa. Prefiro ficar em silêncio a maior parte do tempo. Ele tenta disfarçar; na verdade não consegue tirar os olhos do relógio. Talvez também não goste de mim, ou da ideia de eu estar aqui, talvez ache até desnecessário. 50 minutos, intermináveis 50 minutos, este é o tempo da sessão. Na última semana, aventurei-me nas palavras. Não aguentei o seu olhar analítico. Voltei a ficar em silêncio, e fechei os olhos por alguns instantes. Eu podia sentir o ar pesado daquele consultório. Quantas pessoas já estiveram aqui? Há quanto tempo ele faz isso? Solteiro? Casado? Filhos? Não sei nada sobre ele. Como posso confiar em alguém que não conheço? Prefiro ficar em silêncio.

Mais um gole de Café, e até amanhã!

Prazer, Pablo.

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